Gabriel Nehemy

 Você conhece, você já viu ou nunca nem ouviu falar. Introduzir e interligar pessoas são os principais objetivos deste espaço. Em entrevistas que fluem como um bate-papo, semanalmente conhecemos o perfil de cada pessoa. Revelando detalhes profissionais àqueles que contariam somente a um amigo. Curioso?



 

SUBLIME. Magnífico, esplêndido, grandioso, majestoso (de acordo com o dicionário). Se nos pedissem para descrevermos Gabriel em uma só palavra, sem dúvida nenhuma, escolheriámos essa! Com um sorriso no rosto e uma energia contagiante durante toda a entrevista, hoje aos 30 anos, relembra sua trajetória.

Gabriel é de São Paulo mas morou em Ribeirão Preto,dos 6 aos 18 anos e veio para São Paulo para cursar a faculdade. Sempre decidido, essa característica de Gabriel é marcante, ele não só fala, ele faz. Por isso, mudou-se para cursar a faculdade de Publicidade na FAAP . Um exemplo de sua capacidade de tomar atitudes: ter sido batizado na igreja católica aos 15 anos por pura e espontânea vontade de ter uma base religiosa, ainda que não praticante.
 
Foi no meio do curso da faculdade que sua trajetória começou. Quando uma amiga comentou que precisava de alguém para um trabalho num site e Gabriel logo se prontificou para esta experiência. Foi aí, então, que ele iniciou um trabalho como redator no site Terra, onde ficou por um ano, até perceber que aquilo não o completava. Depois disso, mudou para a e-promotion e trabalhou com marketing de relacionamento, principalmente on-line. Trabalhou na Talent, Banco de Eventos e Bullet.

Experimentou também as áreas de planejamento e atendimento, mas assim que obteve seu diploma de publicitário, não pensou duas vezes. Sua próxima parada foi Londres, para incrementar o currículo e a vida.

Antes de ir para o Reino Unido, porém, um episódio foi o responsável pelo primeiro sinal da vocação de Gabriel. Parece mesmo coisa do destino, se contarmos que a mãe de Gabriel fazia, como hobby, um curso de pintura. Em uma determinada tarde, impossibilitada de ir à aula, ela sugeriu que Gabriel a substituísse. Ele foi e adorou! Ali se plantou uma semente e com aquilo na cabeça, ou no coração, Gabriel viajou. Na volta ao Brasil, trabalhou em algumas agências e passou a fazer trabalhos de cenografia, como freelancer.

Foi então quando ele passou a usar seu tempo livre para pintar.
O diferencial de Gabriel é que ele sempre acreditou no próprio talento e quando decidiu que aquilo realmente era a sua vocação, fez da sua arte sua forma de vida, seu negócio. E desde seu primeiro quadro, ele vende.

Apesar de sempre confiar no próprio taco, foi Rubens Espírito Santo, professor que fazia o acompanhamento de suas pinturas, que abriu seus olhos quanto à levar a pintura realmente a sério, para o fato de que era preciso ter conteúdo, conhecimento e informação. E foi isso que Gabriel fez, estudou sobre a arte, aprendeu a distinguir artistas que ele gostava e com os quais se identificava, como, por exemplo, Robert Rauschenberg, De Kooning, "Jorge Guinle", todos com pinturas explosivas e bastante gestuais assim como as pinturas de Gabriel.

A maravilhosa pintura abstrata de Gabriel pode ser considerada um dom, afinal, há o risco, muito fácil, de uma pintura abstrata tornar-se banal, ou apenas a expressão do nada. Mas com Gabriel é diferente, ele expressa o sentimento, o movimento da vida, a dor, a raiva, a alegria de forma realmente profunda e tocante.

Ele aprecia ainda os trabalhos de Beatriz Milhazes, mas sua forma de expressão é diferente da dela, apesar de sua tamanha admiração. Gabriel tem uma maneira própria de se expressar, mas sabe valorizar também as maneiras alheias.

Ele já participou de diversas exposições e mostras como, por exemplo, a Arc Arte em São Paulo, no ano de 2006 numa coletiva de artistas, na Galeria Fernanda Barbosa Lima, na Thelure, São Paulo. Em 2007, a sua primeira exposição individual, e a que mais marcou sua trajetória até agora, aconteceu na ADEARTE localizada em Ribeirão Preto. Foi um tremendo sucesso com mais de 300 pessoas e 80 % de suas obras vendidas já na abertura. Lá, duas de suas obras foram vendidas a um dos maiores colecionadores da América Latina, João Figueiredo Ferraz. Em uma outra exposição, no Mercearia São Roque, das 19 telas expostas Gabriel vendeu 13, seu número da sorte, por sinal.

São números e percentuais gratificantes, não pelo viés financeiro, mas segundo o artista, porque o artista fica praticamente nu, se expõe ao expor seus sentimentos numa tela e depois passa pelo crivo, pela avaliação de um público que, com a aceitação/aquisição de sua obra, sinaliza que conseguiu entender tanto sentimento.

Para ele, a arte está ligada à questões psicológicas, afinal, pintar também é angustiante, por ser um momento solitário, de reflexão e análise, de transformar um sentimento em conteúdo. O seu talento aliado à esta consciência justificam o Prêmio Aquisição na Pinacoteca, que Gabriel fez jus quando dos 1.300 participantes ele ficou entre os 13 escolhidos (olha aí seu número de sorte!).

Ele pinta apenas quando está inspirado, mas trabalha todos os dias com suas obras. Afinal, são três galerias e o seu site  (www.gabrielnehemy.com.br) no qual é possível visualizar seu trabalho de cores fortes, expressivos e que mesclam o consciente com o inconsciente. Em suas telas, sempre grandes, usa muito o respingado – representando o suor do trabalho – além da tinta acrílica, que permite tinta sobre tinta. Ultimamente tem usado bastante a lona de caminhão, por ser uma peça que tem história e conteúdo, isso porque esses objetos já passaram por vários lugares.

Apesar de tamanha expressividade, Gabriel está sempre equilibrando a estética com o sentimento. Por ser ansioso, às vezes erra a mão, e refaz em cima do erro, num ato de “desconstrução que constrói”.

Não bastasse isso tudo, Gabriel é também um tremendo produtor de eventos, organiza com alguns amigos e sócios as festas “Clericot”, que começaram como um get together e cresceu até ser a festa renomada que é hoje. Além da “Shuffle” que traz influências internacionais e faz um mash up com diversas músicas, como, por exemplo, hip hop com house. Ele lembra que o importante é sempre estar reciclando um som com outro e inovar.

Se você quer ir à alguma dessas festas tem que primeiro fazer parte do mailing selecionado dos sócios e caso esteja pensando em adquirir um dos quadros, além de conquistar um objeto de arte que embeleza qualquer ambiente, vai fazer um excelente investimento, já que esses quadros do artista que nem passou pela fase do conflito “ vou ser artista”, é um sucesso e se esgota rapidinho. Já o seu talento não se esgota nunca!
 


 

 














"Fazer um quadro, requer muita atenção, muitas vezes é um momento angustiante, pois você se encontra sozinho, passa certa sensação de solidão. Mostrar os quadros dá a sensação de que você esta nu, diante das pessoas, pois naquele quadro, expresso meus sentimentos, expondo consciente e inconsciente, passando sempre a mensagem dos meus sentimentos de uma forma subliminar"

"Por esse mesmo motivo não consigo pintar na presença de alguem, ou fazer uma encomenda, que me restrinja muito em cores, tamanho, ou na criatividade. Minha pintura é abstrata, explosiva"

Não ao acaso, o nome escolhido como tema, quase que presente em todos os quadros é: "ME, MYSELF AND I"
Como ele mesmo nos descreveu, a arte é diretamente ligada à psicologia, filosofia e as dúvidas e inquietaçoes do ser- humano.




Música: "Cold Play", "Moby" e "U2 (with or without)"

Medo: "Morte"

Sonho: "Alcançar meus objetivos"

Frase: "Criatividade é um momento de lúcida loucura" , "Pessoas interessantes discutem idéias, pessoas comuns falam de coisas, e pessoas medíocres falam da vida dos outros"


Uma viagem especial: "Para Alemanha, conheci trabalhos de artistas contemporâneos"

Mania: "Balançar a cabeça, enquanto as pessoas falam"

Hobby: "Praticar tênnis"

Defeito: "Sou muito distraído"

Objeto de valor sentimental: "Um escapulário, benzido pelo Papa"

email para contato: gabriel@gabrielnehemy.com.br
 

Tags: GABRIEL NEHEMY,SUBLIME, ARTE

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